No mês de conscientização da endometriose, nada melhor do que desmistificar a doença, sem tabus!
Por Dra Alessandra Bianchini Daud, CRM/TO 2479

“A endometriose sempre leva à infertilidade.” – MITO
Nem toda mulher com endometriose se torna infértil. Mas muitas mulheres inférteis têm endometriose. Apesar da endometriose ser hoje uma das principais causas da infertilidade feminina, algumas mulheres que convivem com a doença conseguem engravidar naturalmente.
“Endometriose só afeta a fertilidade de mulheres com estágios avançados da doença.” – MITO
A endometriose pode ser traiçoeira e afetar a fertilidade mesmo estando em estágios iniciais e sem sintomas. A extensão das lesões e o quanto a doença poderá afetar a fertilidade só pode ser mensurado em avaliações individuais e considerando o histórico da paciente.
“A endometriose sempre causa dor intensa.” – MITO

Muitas vezes a dor provocada pela endometriose é confundida com a dor de uma cólica menstrual. Inclusive, é comum que isso leve a um atraso de diagnóstico entre muitas pacientes. Em outros casos, a doença pode ser assintomática, ou seja, não apresentar sintoma algum além da própria infertilidade – que é o que leva muitas mulheres a buscarem ajuda médica especializada em reprodução assistida e descobrirem o diagnóstico.
“A endometriose desaparece após a menopausa.” – MITO
A endometriose é uma doença inflamatória associada aos hormônios reprodutivos femininos. Apesar desses hormônios diminuírem na menopausa, e o cessar da menstruação ser uma das formas de controle da doença, ela pode não se auto extinguir totalmente. Em alguns casos, os focos de endometriose já instalados podem continuar comprometendo a qualidade de vida da mulher, mesmo durante a menopausa.
“Mulher com endometriose não consegue engravidar naturalmente.” – MITO

Para muitas pacientes, recorrer a um tratamento para engravidar, como a Fertilização in Vitro (FIV) será necessário. Já outras conseguirão engravidar naturalmente. Vários fatores estão envolvidos para definir se a mulher precisará recorrer à reprodução assistida ou não, tais como a extensão da doença, os órgãos atingidos pelos focos de endometriose, a idade da paciente, reserva ovariana, entre outros. Para saber mais, faça uma avaliação em uma clínica especializada em reprodução humana.
“A endometriose pode ser curada com cirurgia.” – MITO
A cirurgia serve para retirar focos de endometriose. Ou seja, as lesões, os cistos, o tecido de endométrio acumulado em locais nos quais ele não deveria estar. Porém, a endometriose é uma doença inflamatória crônica, não tem cura. Mesmo após a cirurgia, será necessário um cuidado constante para que ela não volte a se alastrar. Entre esses cuidados está suprimir a menstruação com a ajuda de moduladores hormonais. Além disso, pode ser recomendada uma dieta anti-inflamatória para ajudar no controle dos sintomas.
“A endometriose não afeta outras áreas além do sistema reprodutivo.” – MITO

A endometriose pode afetar a saúde da mulher de uma forma geral. Por exemplo: Ao acometer os intestinos, pode causar problemas no sistema digestivo. Ao atingir a bexiga, pode afetar o trato urinário. Em casos mais raros, existe a possibilidade até de atingir órgãos mais distantes, como pulmões e diafragma.
Outra área importante que pode ficar comprometida pela endometriose é a saúde mental. Afinal de contas, a maioria dessas pacientes convive com dores debilitantes. Muitas delas passam anos sendo desacreditadas, ouvindo falar que estão exagerando e que não são capazes de suportarem uma “simples” cólica menstrual. Há, ainda, aquelas que recebem o diagnóstico e precisam lidar com o choque de descobrirem um motivo de infertilidade.
Ou seja, a endometriose tem potencial para afetar a saúde da mulher de diversas formas. Por isso, não pode ser menosprezada.
“Endometriose não tem tratamento.” – MITO.

A endometriose não tem cura, mas tem tratamento. Procure ajuda médica para descobrir qual é a melhor opção para o seu caso. E, caso deseje engravidar e já esteja sentindo dificuldade, não deixe de procurar uma clínica especializada em reprodução humana para entender quais são as suas opções.
Fontes: Gerare Reprodução Humana/ CFM – Conselho Federal de Medicina/ SBRA – Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida